
terça-feira, 9 de março de 2010
GRANJA HUMANA

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
QUÍMICA SUTIL

E se imaginar é assim, um ato de tradução, criação, estou tratando, então, de imaginar grande, permitindo que meu sábio coração viaje, contate espaços elevados, plantando minha casinha no alto da montanha, de modo a poder praticar um contemplar mais amplo, expandindo meu olhar, respirando o claro ar das alturas, inalando e exalando uma consciência mais vasta, enquanto a cada dia meu corpo torna-se mais integrado, mais forte, capaz de, por horas, usar com precisão a roçadeira, a enxada, o alicate de poda, o cortador de pisos do pedreiro, a torquez, conversando com a alma das coisas. Literalmente reunindo cacos, reciclando e dando a eles nova configuração e harmonia, mosaico de sonhos. Traduzir mais que palavras, mergulhar na qualidade da consciência do ponto percebido, informação a ser transcodificada, seu ritmo, sua música, sua cor, ali, virando conscientemente meu espelho para dentro e para o céu, e transpondo as imagens que ali passam, em fluxo translúcido, para o barro da Terra.
O silêncio desta aquariana casa 12 é povoado, trespassado, interconectado à alma das “coisas”, e dentro dele, encontro-me hospedada a cada instante no coração de uma delas.
Bueno, dito isso, vamos em frente, que o dia está vivo. Aos que conhecem meu consultório, aqui na parte superior da casa, digo que a vegetação quer entrar pela bay window, os livros de astrologia misturam-se a ela com harmonia, o tibetan singing bowl, presente do Marcelo, sempre ao alcance das mãos, ajudando-me a fazer a curva de volta pro sonho, as portas de vidro da varandinha estão semi-abertas e os passarinhos cantam nas bananeiras, no limoeiro, na ameixeira. Volta e meia os cachorros se expressam com muita preguiça, neste calor. Pituxa, a gatinha, me olha de vez em quando com seus olhinhos verdes muito lindos, e a gente se comunica só no olhar. Gente do céu! Olhem em torno! Esta Terra não é mesmo O Paraíso?!
Vou esquentar a lentilha, fazer uma saladinha, que o João resolveu almoçar em casa.
Maria Helena
Manhã de 11/02/2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Vozes do Pássaro da Liberdade
Postando aqui este texto escrito em fevereiro de 2007, e publicado no livro Janelas de Aquário na Casa 12. Continuo agradecendo.
Acordei aos poucos. Ouvi o silencioso farfalho das asas do Pássaro da Liberdade pousando em minha janela. (- Ah, essas asas onde gosto de fazer o meu ninho!) E fui abrindo meus olhos, atravessando a soleira da “porta”, ainda envolta, ainda mergulhada na dimensão de onde vinha.
Hoje, em particular, “acordei” com ”Ele” para agradecer por ser Quem Eu Sou. Hoje, em particular, “acordei” para o privilégio de ter recebido estes corpos para experimentação-expansão. E me abracei comigo mesma na cama e me parabenizei por ter aceitado o desafio de desbravar esses oceanos e semear esses desertos. O desafio de emparelhar a perfeição que descubro com a perfeição que já É.
Hoje, em particular, eu me sinto feliz dentro deste jogo, acordando para a Consciência do Espírito, este grande pássaro livre, experimentando permanecer em Sua freqüência, neste “esconde-esconde” onde, na verdade, nada está escondido... Desde que eu não perca este código de sintonização.
Agradeço pelo milagre desta convivência do meu euzinho com o meu euzão. E até por falta de palavras, pelo vício do uso das construções do ego, agradeço pelo Eu Maior ter tanta paciência com seu irmão pequeno que insiste no uso do possessivo “meu” e por vezes não sabe que EU SOU o outro.
Hoje, em particular, agradeço por este laptop, por esta cadernetinha de bolsa – que é um mimo da Patrícia – onde posso anotar estas idéias, tantas vezes fugidias, viagens e visões em trânsito, sonhos e decisões que lampejam sem aviso.
Hoje, reassino este contrato com o bom humor, com a espontaneidade, com a juventude e com a alegria de viver sem idade e cheia de todas elas. Hoje, na maior esportiva, abro o meu ano novo como uma aluna pequena, com a caixa de lápis-de-cor nova, começando novas vias de expressão. E declaro uma vocação-atração profunda por aprender essas disciplinas intuitivas e indisciplinadas, cuja ordenação certamente está dentro de uma Nova Ordem.
Hoje eu me sinto mais simples. Devo, pelo jeito e por vontade própria, tornar-me mais simples ainda. Até chegar naquela unidade básica. Unidade Básica.
Eu agradeço por essa Unidade que em momentos cegos, para não cair, uso como corrimão, afirmo e tomo, via de regra, como definição e em outros momentos sinto-pressinto suas saias-aura roçando pelas minhas pernas, de leve, macio. Unidade que, em dias de Graça, explode sem estardalhaço como jatos de liberdade a partir do centro do meu peito e como silêncio consciente, lago calmo no alto da montanha do meu terceiro olho, como bolhas de champanhe, fonte infinita no topo de minha cabeça... cabeça, irmão, que se desintegra daquele jeito antigo de cabeçar. Essa Unidade que, de dentro, me envolve... e atravesso a porta, a ponte entre os dois lados... e não há mais divisões... e fico de molho dentro dela, numa boa... e respiro... e sei que o mundo inteiro respira em mim.
Hoje, de novo e de novo, agradeço pelo Pássaro na bay window, e por este mundo em mim.
Maria Helena
Numa bela manhã de fevereiro de 2007
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Na Sagrada Saúde de Cada Dia
Tenho percebido nos vai-e-vens de minha própria experiência que existe mais sabedoria e simplicidade em nossos corpos, e nas maneiras como eles restabelecem e mantêm nossa saúde do que "sonha a nossa vã filosofia". No entanto, porque temos colocado o foco no medo e não conhecemos a estatura da emanação de nossa liberdade, criamos e estamos dentro de um sistema que defende apenas os métodos de cura mais artificiais, caros, extremamente manipulados em laboratórios, cujos efeitos colaterais prevêem e pedem novas intervenções também igualmente violentas. Acabo de receber notícia, através da minha amiga Ida, que está para acontecer em fevereiro o julgamento do Dr. Luiz Moura, médico que tem divulgado gratuitamente informações sobre a autohemoterapia. E fico pensando, aqui com meus botões, que a "medicina" tem sido exercida em todas as culturas, e sempre se achou remédios eficazes para os desequilíbrios causados em si mesmos pelos membros daqueles grupos. Até porque a doença é mais uma de nossas ilusões, espantalho sem graça em nosso quarto de brinquedos. Essa fé absoluta que hoje temos nos médicos, laboratórios e nos remédios "fortes", outros grupos tiveram (e alguns poucos, não contaminados, ainda o fazem) em seus pajés, seus curandeiros e sacerdotes, e essa certeza de que aqueles indivíduos traziam consigo intermediações e meios de cura, abria a mente, a emoção e o corpo à cura. A confiança tomava o lugar do medo, e então tudo podia ficar novamente Bem, furava-se a bolha, película, capa ilusória, e a Vida verdadeira pairava outra vez redescoberta. O aprendiz de feiticeiro, em nós, ao adentrar a Mata Virgem, deve encontrar-se com o Xamã que ele é.
Se pelo menos aceitássemos que vários caminhos levam à Roma... Vejam a acupuntura, por exemplo. O corpo não precisou ser aberto de forma exploratória para se descobrir onde fica o quê, mas os meridianos de energia e seu funcionamento interligado, uns retroalimentando os outros, foram de alguma forma compreendidos e o resultado do uso de agulhas, pressão de dedos, o uso do calor em certos pontos, enfim (não sou acupunturista, mas usuária de acupuntura), traz, apesar da estranheza que muitos sentem, um enorme e comprovado benefício na recomposição daquele sistema. Uma certa loucura sofreram os primeiros homeopatas, para provar que havia de fato remédio naqueles frasquinhos com suas "aguinhas". E Senhor, sem o caminho direto, ainda precisamos do ritual mágico e da irradiante energia consciente dessas aguinhas! Ah, semelhante cura semelhante, e provavelmente a autohemoterapia esteja totalmente inserida nesse contexto, não é mesmo? Os Florais estão dentro da mesma linha de simplicidade, que paira na compreensão de que toda entidade tem existência em campos de energia, cuja freqüência vibratória espelha a qualidade específica da informação contida em cada um deles. Neste caso, o equilíbrio está na busca da complementaridade. E tem a imposição das mãos, Reiki, passes, e outros... Novamente a intervenção ocorre nos campos de energia, que refletem a natureza da consciência da qual emanam. Isso é uma chave! A fitoterapia, perfeita, como perfeita é a natureza, e o relaxamento (biofeedback e outros), a massagem (diversos tipos e estilos, claramente relacionados ou não a correntes psicológicas e/ou filosóficas), e a troca através da conversa, que traz possibilidade de insights, auto-conhecimento, fortalecimento da aceitação, do Amor a si mesmo, ou transmite afeto, e segurança. A meditação, o AMOR, como cura, o estar no Coração, junto à Fonte, irradiando essa Integridade. A cura pode vir de toda a parte, através do bom humor, do sorriso, do olhar nos olhos, do olhar além dos olhos, do estar com amigos, ou no silêncio, na “Presença”. Para alguns estar bem, ou zen, acontece velejando, surfando, tomando banho de mar, cobrindo-se com areias monazíticas, barros medicinais, caminhando pela vida, correndo atrás de si mesmo, voando, planando, brincando, fazendo um som, ouvindo mantras, pink floyd, sertanejo universitário, samba, enquanto outros, como uma vizinha, curtem ouvir alto seus tenores italianos nos domingos de sol. Ou como a Raquel, que prefere o jazz do Café com Letras. Segundo ela, cura tudo! Deitar na rede é um santo remédio, assim como ficar no silêncio olhando a mata e as estrelas no escuro da noite. A saúde pode vir pelo método macrobiótico, probiótico, pelo jejum. Há ainda os que trabalham para sentirem-se centrados e para oferecerem o fruto de seu trabalho ao mundo. E nada como uma enxada, como uma roçadeira, nada como um scanner, como uma traduçãozinha para clarear o dia. Alguns afirmam que transar é preciso, e juram que o orgasmo traz tudo de bom. Outros acreditam que conter essa mesma energia e redirecioná-la para o Alto é o grande barato! Precisamos de algo que nos facilite soltar o desnecessário, para que sem essa carga extra possamos nos voltar em direção ao nosso centro de poder, reservatório central de identidade, à partir de onde podemos voltar a irradiar sanidade. Por que lutamos tanto contra tantas evidências simples que estão em toda parte? Tudo pode ser canal de cura, dependendo do indíviduo, de seu estágio de conexão, seu momento, daquilo que está disponível em seu ambiente e situação. Há nisso tudo, também, curas e Curas.
Acredito que isso, esse estado perturbado de coisas não dure muito mais tempo. Chegamos num ponto muito baixo da curva em sino, despencamos ladeira abaixo, e num círculo vicioso, quanto mais nosso campo fica retraído mais tornamo-nos medrosos em excesso, não ousamos ir além da cartilha social e por isso ainda precisamos do remédio pasteurizado e caro, quanto mais caro, mais cura, quanto mais machucar nosso estômago, nosso fígado, nossos rins, mais o remédio está "funcionando"! O prêço pago, evidentemente, vai além do dinheiro. Algo está chegando na borda, talvez já passando demais do limite. Essa agonia, fim de ciclo, nos levará à busca de simplicidade e paz. Por ora, para alguns, sofrer cura.
Lembrei-me neste instante do filme Avatar, pois um amigo acaba de assisti-lo e enviou-me emails tão lindos sobre o nosso tempo e a cura que está em curso em toda a parte e o “povo do céu” que está chegando (usando suas próprias palavras) que isso deixou-me mais inteira por hoje. Em “Pandora” - e Pandora não é lá, é "aqui" - experiencia-se a troca consciente de energia com tudo que há. Tudo é vivo, e vive-se com essa certeza e naturalidade. A Vida vegetal, com seu ponto focal na sagrada "árvore da vida", é belíssimo canal de equilíbrio. Os seres de diversas linhagens "conversam" e unem o potencial de seus campos para um propósito único. Há consciência desses campos e da substância que nos une e onde estamos. Há respeito e deferência pela Vida. Nisso reside a saúde. Mas se ainda pensamos nessa cura como fantasia para assistirmos no telão 3D nos fins de semana, essa atitude nos deixa enfraquecidos, desvalidos, e dependentes apenas de nossos planos de saúde, um jogo cada dia mais caro. Enquanto isso, em pleno 2010, o Dr. Luiz Moura é julgado pelo Conselho Federal de Medicina, a inquisição ainda hoje tentando esticar seus braços de polvo. Se o que está dentro está fora, hoje, sem demora, é hora de recomeçarmos a expandir nossa liberdade interna, esse contato com o Real, com nosso sonho de beleza e integridade, para que manifestemos externamente a maravilha que vivemos sempre que vamos para "lá". Pois "lá", é Aqui!
Maria Helena
Florianópolis, 24/01/2010
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Viver no coração

2009 no finzinho e, consciente deste imenso Amor no peito, sinto que precisamos, e isto é urgente, aprender a usar metáforas, a converter e reconverter símbolos, para atingirmos o 'ponto' de onde o fluxo emana, sustentar a conexão e nos expressarmos criativamente à partir daí. Quem sabe assim, através de foco e tradução amorosa, este nosso mundo possa desaborrecer-se, soltar a distração das bobagens estereotipadas, deslinearizar-se, recuperando sua verdadeira Realidade, graça e arrojo. A metáfora e os símbolos nos ensinam a olhar uma, duas, milhares de vezes para o mesmo panorama - parábola - e a vê-lo, a cada vez, através de um novo prisma, reconhecendo suas outras faces, encontrando alimento e substância para diversas fases da Caminhada. Assim, uma coisa é uma coisa, mas também é outra coisa muito diferente daquilo que você estava imaginando.
Precisamos viajar pelo mundo, digo, entre mundos, digo, estar em paralelo nos vários mundos, atravessando portas e janelas abertas à cálida e silenciosa visão do Coração. Este transitar consciente nos possibilita trabalhar com fios de vários mundos, elementos de dimensões variadas e aprendemos a viver sem definições estreitas, sorrindo de tudo e para tudo - pois nada é o que parece - o que pode, à princípio, sugerir uma confusão dos capetas mas que na verdade revela a mais etérea leveza exalada pela liberdade de viver em contato com a Fonte, ou com TUDO QUE ELA É. E Ela, é o 'ambiente' onde fazemos nossa experiência, é 'aquilo' que dá existência e estrutura, exata e precisamente, a tudo o que vivemos dentro e fora de nós, local e globalmente, a todas as coisas e estados, todas as gentes-irmãs humanas, animais, minerais e vegetais, e é ainda a vida que transpira em todo esse povo visível e invisível que anda aparecendo nestes tempos, que não sei nem como nominar, povo multidimensional, transdisciplinar, povo louco-lúcido, Senhor, como são lúcidos! Um povo-grupo que chegou para ficar. Estamos aprendendo rápido, e tão pouco sabemos, e tudo ensina a recuperar o amoroso saber pré existente e a expandí-lo, nós que somos habitantes de tantos mundos! Tudo tão simples e tudo dentro da mais intensa realeza e integridade! Eu Sou aquele pedacinho d'Ele, aquela celulazinha ali, daquele orgãozinho ali, do Seu Corpo, mas de alguma forma, apesar de ser um mero pedaço, também isso é ilusório pois tem horas em que participo de todos, absolutamente todos os Seus sonhos e segredos! Saber ler, aquela coisa de que o pingo é letra! Saber soltar, porque sempre se tem, percebendo que a questão toda necessariamente está além da fisicalidade, embora, às vezes, a experiência passe pela consumação física, que embora possa ser movida pela fricção do fogo da paixão, pelo orgasmo, múltiplo, ainda assim, trata-se apenas de um mero detalhe na questão, múltipla, da união. Saber-se junto com o outro numa implicação vasta, num pertencimento íntimo, num conhecer profundo, numa ausência total da posse humana, num Amor que irradia, mergulha nas essências uns dos outros, enriquece uns aos outros, e transborda, Senhor, como transborda! Estar no Jogo, estar em Jogo, abraçar a vida que há em tudo, tanto e tanto, que torna-se difícil digitar, e é preciso deixar-me digitar, tocada pela energia que me envolve, que trocamos, que emana de tudo, aqui nesta mesa, diante da janela, nesta sala, também um consultório, tipo, quem consulta quem, ou o que, neste final de ano?!
Nesta vida tive três filhos, de certa forma uma coisa do passado, posto que todos já têm uma certa idade, construíram sua independência na vida de suas escolhas. No entanto, algo nesta experiência tem sempre um fluxo muito vivo, ativo, paralelo ao tempo presente, pois em uma certa instância, são e serão sempre filhos de meu corpo e de meu coração, e neste estado em que sou uma manifestação do arquétipo-mãe, estou acoplada a um terminal de abastecimento, manancial materno de fluxo contínuo, aquele cordão que jamais é cortado, aquela ligação eternamente convidada, o receber em mim o ser que vem, acolhê-lo, enraizá-lo, nutrí-lo e vê-lo crescer dentro de mim, embora diferente de mim mesma, gestá-lo de novo e de novo, para viver uma vida toda sua, mas não a minha vida escolhida.
Há, no entanto, em mim, centenas de outras vidas em que nunca fui e nunca serei mãe, em que toda a minha energia flui para centenas de outros lados – em que estou na rede e sou rede - ora como viajante, atrás do meu sonho, como a mulher reconhecendo, mergulhando e fusionando-se a seu amante, como menina inexperiente começando um novo plano, como a pessoa milenar que já viveu mais, além do que se possa recordar, explicar ou entender, cujo espírito conhece os mantras das várias linhagens do universo, está além do tempo, dos conceitos e classificações. E há aquela que precisa escalar uma certa montanha e atravessar uma certa ponte e com uma certa urgência dar um jeito em um montão de pendências que já estão velhas demais, tipo, caducas, tirar a fantasia e vestir roupas completamente novas! E em muitas dessas experiências, convivo com aqueles agora-chamados-filhos daquela 'outra' vida e, então, como bons amigos, superbrothers, companheiros, festejamos de igual para igual, camisetas e jeans desbotados, pés descalços, pernas cruzadas no chão, sobre o sofá, partilhando impressões, buscas, sonhos, utopias e videogames, expressamos nossas naturezas humana e estelar, erguemos a borbulhante taça de champanhe e compartilhamos nossa força, nossa experiência, nosso riso, abraço, amor, gratos pela camaradagem de todos os dias, aconteça o que acontecer, manos!
A vida nunca teve regras, embora nós a tenhamos revestido com camisa de força e cinturão de castidade, claro, sem a menor noção do que vem a ser castidade. Nossa cabeça tem, desconectadamente, tentado definir o melhor e o pior, como é que um ser humano decente deve agir dentro de um certo escopo de realidade, tentando ser bússola para questões em que ela, naquele nível, não tem os pré-requisitos mínimos para opinar. Mas como uma telefonista diante de seu PABX, precisamos descobrir o plugue certo, a conexão exata com o Coração. Esse é o elemento-chave, o grande decifrador de símbolos e metáforas, o transcodificador, o que mantém os universos unidos, em que todas as minhas realidades fazem sentido e nenhuma fica de fora ou invalida a outra, em que posso transitar entre as camuflagens, entre as organizações diversas da experiência e aprender com todas elas e não ser aprisionada por nenhuma. Esse Coração estabelece a direção do fluxo de energia, as reais ligações atuais, que não são fruto de acordos estéreis, mas que são resultado de uma certa sintonia vibratória.
Tocar a ‘face’ amada, olhar no olhar, respirar na respiração do encontro, e encontrar. A camisola branca de algodão simples e renda sobre o corpo nu. O sábio coração nu. A mente amorosa nua. Assim adentramos o novo dia. Seguramente, meus amigos, estar nesta vida é uma experiência pra lá de interessante!
Maria Helena,
Florianópolis, 25/12/2009
domingo, 22 de novembro de 2009
E chove

E chove! Esta temporada forçada de excesso de chuva e frio fora de época tem feito coisas, alterando expectativas. O feijão plantado, na sua maioria, amarelou, melou e morreu. Ainda não plantamos o arroz, e é capaz de não dar mais tempo, nem o milho... Muita água. Por outro lado, para eu não virar uma reclamona, tem sempre algumas maravilhas em curso, como as bananeiras fazendo cachos, os limoeiros sicilianos imensos, os abacateiros enormes, as parreiras cheias de uvinhas... As cebolas, apesar de toda a chuva, estão quase na hora de serem colhidas. Isso, para a gente nunca acreditar na limitação! Desapegamo-nos de algumas coisas e dirigimos nosso olhar à outras. Temos colocado na terra tudo quanto é semente de todas as frutas que comemos. Temos plantado até sementes de maçãs, daquelas que compramos à quilo no supermercado. Algumas delas já estão bem crescidas. E embora nos digam que jamais darão frutos, nos recusamos a acreditar nisso. Comemoramos seu crescimento, suas folhas que rebrotam sempre num tom de verde muito bonito. Vejam as sementes de limas-da-Pérsia, compradas assim, nas mesmas condições, e que coloquei dentro de um vaso de violetas, no consultório. Elas germinaram e as colocamos na terra quando ainda eram tão pequenininhas que a nossa ajudante, Janete, só ria, achando um tremendo absurdo darmos tanta atenção para aquelas plantinhas frágeis com cerca de quatro folhinhas, e que por certo morreriam antes de se adaptarem. Hoje são quatro formosas arvorezinhas que dão limas amarelinhas, deliciosas... No início, plantamos cenouras vindas dessas sementes violadas que se compra no comércio, cujas plantas não espigarão, para que sejamos obrigados a comprar novas sementes da multinacional, ficando, assim, cada vez mais à mercê dos donos da Matrix, matriz da 'tecnologia'. Pois não é que em dado momento, acreditem, um pezinho de cenoura magicamente espigou e ficamos com o coração na mão! Cheinho de flor, deu uma bacia enorme de sementes, que colhemos e replantamos. Agora temos sempre muitos pezinhos de cenoura espigados com milhares de sementes! A vida multiplicando-se em meio a esse caos aparente. Há todo um barulho do raciocínio em cima de teorias, mas no silêncio da observação surge um amor que confia na vida e que desperta a semente.
E chove! Às vezes a chuva vem do oeste e a gente pensa que o vento vai, enfim, levá-la embora. Mas, aí, ela faz meia volta e vem de leste. Acaba a reserva de água de um lado e ela vai se abastecer no outro. Penso, então, que não dá para esperar, e se não temos mais sol, let's sing in the rain! Levanto-me para esticar as pernas e dançar um pouco: gracias a la vida que me ha dado tanto! O fogão à lenha esquentando essa mistura de sala, copa e cozinha. Almoçamos ervilhas com batatas e massinha no alho, Vitor foi fazer a siesta e estou aqui, acompanhada deste laptop cor-de-rosa, una computadora, mocinha, do sexo feminino, como diz o Paulinho, que toca esse sonzinho maneiro, onde teclo, onde estudo astrologia - como é bom - enquanto chove. E constato que a nossa ajudante, Janete, teve medo da chuva: já passou da hora e ela não veio trabalhar. Há tanto por ser feito, mas nessas circunstâncias vemos a importância de praticar a entrega, a aceitação, e como diz o povo, colocar as coisas nas mãos de Deus! Ainda hoje fomos pela trilha, caminhando mata adentro, até a beira do rio que corre lá no fundo. Há um tempo atrás havíamos assentado algumas pedras no chão, próximo da margem, de forma bem simples para não destoar, não machucar muito a energia do lugar e ainda termos um chão mais firme onde pisar. Agora, o rio encorpado, crescido, indomável, passava por cima da represinha, das margens, seguindo deu próprio curso e destino, independente de nós e de nossas pedras colocadas na margem. Um espetáculo forte, lindo! Então, é preciso reverenciar a vida, trabalhar com afinco, traçar objetivos claros mas sem qualquer apego, abertos à co-criação e à possibilidade de mudança de itinerário, saber a hora de abrir mão da agenda e pular fora. Por isso mesmo, independente do tempo, eu venho para o sítio, planto, converso com os carneiros, morro de rir dos gansinhos adolescentes, tão lindos, fico de namorinho com a Maria Antônia, que toda charmosa, mergulha e volta, e tudo está bem no meu mundo!
E chove!
São Pedro de Alcântara, 20 de março de 2009
Retorno, após uma noite de chuva intensa, para registrar a morte da minha menina Maria Antônia! A violência das águas formou um vórtice muito intenso no ladrão do lago que sugava as águas aos borbotões. Ela foi tragada pela cabeça, ficou presa e não conseguiu mais nadar para fora! Estás agora unificada à tua alma-grupo, minha querida! Em algum universo paralelo vives, agora, sem a forma de tartaruguinha que vestiste para que eu pudesse aprender que gente e tartaruga podem viver um amor sem igual! Atravessaste a linha e entraste no grande mistério! Contigo estão a Betinha, o Léo, a Lindinha, a Preta e o Ferdinando. Ferdinando, o pai de todos os carneiros desta 'Ohana, que já velhinho, fui levar-lhe um agrado em sua casinha, aquele capim cheiroso que ele tanto gostava, e uma bacia d'água, porque já não conseguia caminhar. Conversei com ele, acariciei sua cabeça, agradeci pela bênção de sua presença, pelas impagáveis aulas de olhar-no-olho-lindo-do-carneiro-e-entender-tudo, e quando saí de lá, ele deu apenas um passo cambaleante até a porta, atrás de mim. Voltei-me e ele olhou-me intensamente com seus puros olhos de carneiro e eu soube que era a despedida. Meu coração humano não queria mesmo passar por isso, mas a Alma que mora em meu coração pode sentir a paz, que como um halo, exala desses momentos. E exulta pela bela festa que vocês estão fazendo nos verdes prados do Senhor, no outro Laguinho Krishna, nessa outra 'Ohana que fica aí desse lado.
Ainda chove.
Maria Helena
São Pedro de Alcântara, 21 de março de 2009.
domingo, 15 de novembro de 2009
Atravessando a Boca da Caverna

Postando um texto de 2007:
Oi Su, respondendo sua pergunta:
Florianópolis, 03/05/2007
