terça-feira, 9 de março de 2010

GRANJA HUMANA


Vindo para São Pedro de Alcântara, chuva caindo continuamente, paramos em frente a uma porteira, entrada de mais uma granja das dezenas que estão sendo construídas a toque de caixa pelo interior de Santa Catarina, para conversarmos com um pedreiro. Vitor mencionou que tinha ouvido uma notícia sobre uma tal máquina que haviam comprado aqui no Estado, para ser usada em granjas, quando ocorrem aquelas “pestes” e todas as galinhas são infectadas, e apesar da quantidade imensa de antibióticos, morrem todas – e elas são centenas, espremidas naqueles espaços mal cheirosos, cheiro que se sente estrada afora, muito antes de se avistar a granja. Disse que para diminuir a trabalheira de se eliminar, acabar de matar de vez aqueles seres agonizantes – porque a exploração violenta a que são submetidos já é uma sentença de morte – a tal máquina despeja dentro da granja uma espuma tóxica até uma altura superior a das galinhas, que no desespero de respirar, absorvem o veneno fatal, e se afogam, se asfixiam sem chance de fuga, facilitando a “limpeza” da área. Penso que, de certo, buscaram inspiração para essa “tecnologia” nas “pesquisas” de torturas feitas em campos de concentração. As próprias granjas, em si, são memórias desses lugares.
Apesar de notícias como esta serem consideradas “normais” na atualidade, e até vistas como medidas sanitárias saudáveis, não consigo ouvi-las sem experimentar uma dor profunda no peito. Se o jogo era entrar na densidade da forma e aqui nos estabelecermos, e experimentá-la tão entranhadamente a ponto de nos sentirmos identificados com essa densidade, identificados com apenas aquilo detectável através de nossos sentidos físicos, então essa é uma experiência vitoriosa, experimento que deu certo. Mas havia, no programa original, uma cláusula, uma hora combinada para se virar o jogo, re-incluir todo o resto de nossos poderes, pois apenas uma parte minúscula de nosso ser está aprisionada no visgo da matéria, mesmerizada, empobrecida, destituída, exilada de Si mesma. Há que se acender uma luz, para acharmos o caminho das pedras no escuro, vivermos neste mundo sem sermos por ele seduzidos, cooptados, convertidos a essa crassa religião às avessas. Assim, chegamos a mais um “ponto de mutação”, neste início do ciclo de Plutão em Capricórnio, agora quadrado com Saturno em Libra, vigorosa e incansavelmente rompendo a pesada crosta, o planeta em convulsão, espelhando nossa convulsão interna, matando as estruturas, armaduras que não mais nos servem, até que não sobre, nas relações dentro e fora de nós, nada equivocado. Então a Luz Imperecível rebrotará, na cena do crime! Embora ela jamais tenha arredado um pé sequer do cerne de nossa existência.
(Parei de escrever por um momento para me servir de um pouco de água da magnífica garrafa de vidro azul sobre minha mesa, garrafa que herdei do João, que quis experimentar uma vodka Skyy. A luz da janela incide sobre ela e parece que deixa a água mais gostosa. Me veio à mente uma frase do Hermann Hesse de minha adolescência: “A ave vem do Ovo. Quem quiser nascer tem que destruir um mundo. A ave voa para Deus e esse Deus se chama Abraxas.” Não sei se minha memória me trai, se o texto no original se encontra com essas exatas palavras. Abraxas é a união do Bem e o Mal.)
Ao ouvir a tal notícia sobre os métodos de eliminação de "aves descartáveis", ocorreu-me uma imagem que vou aqui transcrever. Suponha que somos uma família. Uma família amorosa. Nossos filhos queridos querem brincar de teatrinho. Como amamos nossa prole, nós resolvemos ajudá-los a criar o cenário próprio onde o roteiro da peça teatral se desenvolverá. Alguns de nós nos camuflamos em árvores, pitangas, alguns seremos animais como pássaros, cachorros, gatos, bois, porcos ou frangos. Alguns farão o papel de minerais, e se transmutarão em rios, vales e montanhas. E alguns ousarão se fantasiar de céu, de sol e estrelas, e num piscar de olhos temos por aqui um Planeta Terra, dentro de um sistema solar numa bela Via Láctea. Todos nós, essa magnífica e unida família, somos belos, inteligentes e amorosos, e fazemos nosso papel com tal mestria, intensidade e perfeição que ganhamos todos os “Oscars” para cada categoria. Então, algo macabro acontece. Nossa prole adoece, enlouquece, cria e infecta-se com um vírus paranóico muito doido e começa a torturar, destruir seus irmãos “de sangue”, agora vestidos de árvores, de montanhas e de frangos, na enorme granja da Terra. Lesada, esqueceu suas origens, sua irmandade, passou a acreditar que o cenário é feito de “coisas”, quando esse conceito em si já é uma piração, acreditar que algo possa não ter vida. Nossa amorosa família, por trás da camuflagem, faz sinais que nossa prole não vê, pois as bactérias - seriam fungos? - comeram-lhe essa faceta da visão.
Imagine que você tenha à mão uns óculos poderosos, muito, centenas de vezes melhores do que aqueles binóculos de visão noturna, desenvolvidos para a guerra. E quando você olha através dessas lentes, abre-se um maravilhoso mundo insuspeitado onde tudo respira e se move, um mundo de energias expansivas complementares que se expressam, aprendem e ensinam, lhe tocam, lhe permeiam, cujo sussurro comove cada uma de suas células e faz você sentir um amor e uma clareza tão intensos que quase dói, quando traduzimos para a linguagem deste corpo físico. Esses óculos existem, vêm incluídos no kit-incarnação. Use-os e você nunca mais vai querer usar outra coisa!
Maria Helena,
Nesta interessante manhã de terça feira, 09/03/2010, aguardando inspiração para retomar o mosaico.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

QUÍMICA SUTIL

Aquilo que eu sou está vivo, em todas as suas infinitas subdivisões hierárquicas e como unidade, e se expande, como qualidade específica de energia consciente, ao redor e adiante de mim e chega nos outros bem antes de meu corpo físico lá chegar, intervindo em outros sistemas igualmente múltiplos e vivos. E causa, o tempo todo, um tipo particular de impacto, de conhecimento, sentimento, de impressão, de inflexão, expressão, que afeta o ambiente numa dada direção, provocando possibilidades de difração da Luz, mudanças de curso. Isso não é uma metáfora. Quando começo a imaginar, começo a abrir uma porteira, permito o acesso a um certo tipo de fluxo de matéria viva sutil carregada de possibilidades. Quando intenciono algo, canalizo, desejo, foco minha atenção em alguma direção específica, todo o meu “campo” se re-arranja, reações “químicas” ocorrem ali dentro, “moléculas” coligam-se de forma tal que a luz passa a expandir-se por novos caminhos cheios de novas informações e insights, o colorido se altera, novas regiões se acendem e pulsam, colocando em movimento uma qualidade inteiramente nova de energia que segue adiante, como batedores, interagindo, afetando tudo que há, criando em torno o novo molde, o projeto daquilo que, se o impulso segue realimentado e complementado, atrairá matéria densa que revestirá o sonho. Isto será meu presente, a nova manifestação, nova forma que estarei implantando para a etapa atual, para este novo dia de criação/experimentação no contexto desta Terra. Nesta consciência, abro este novo ano que agora se inicia. Feliz aniversário, Maria Helena!

E se imaginar é assim, um ato de tradução, criação, estou tratando, então, de imaginar grande, permitindo que meu sábio coração viaje, contate espaços elevados, plantando minha casinha no alto da montanha, de modo a poder praticar um contemplar mais amplo, expandindo meu olhar, respirando o claro ar das alturas, inalando e exalando uma consciência mais vasta, enquanto a cada dia meu corpo torna-se mais integrado, mais forte, capaz de, por horas, usar com precisão a roçadeira, a enxada, o alicate de poda, o cortador de pisos do pedreiro, a torquez, conversando com a alma das coisas. Literalmente reunindo cacos, reciclando e dando a eles nova configuração e harmonia, mosaico de sonhos. Traduzir mais que palavras, mergulhar na qualidade da consciência do ponto percebido, informação a ser transcodificada, seu ritmo, sua música, sua cor, ali, virando conscientemente meu espelho para dentro e para o céu, e transpondo as imagens que ali passam, em fluxo translúcido, para o barro da Terra.

O silêncio desta aquariana casa 12 é povoado, trespassado, interconectado à alma das “coisas”, e dentro dele, encontro-me hospedada a cada instante no coração de uma delas.

Bueno, dito isso, vamos em frente, que o dia está vivo. Aos que conhecem meu consultório, aqui na parte superior da casa, digo que a vegetação quer entrar pela bay window, os livros de astrologia misturam-se a ela com harmonia, o tibetan singing bowl, presente do Marcelo, sempre ao alcance das mãos, ajudando-me a fazer a curva de volta pro sonho, as portas de vidro da varandinha estão semi-abertas e os passarinhos cantam nas bananeiras, no limoeiro, na ameixeira. Volta e meia os cachorros se expressam com muita preguiça, neste calor. Pituxa, a gatinha, me olha de vez em quando com seus olhinhos verdes muito lindos, e a gente se comunica só no olhar. Gente do céu! Olhem em torno! Esta Terra não é mesmo O Paraíso?!

Vou esquentar a lentilha, fazer uma saladinha, que o João resolveu almoçar em casa.

Maria Helena

Manhã de 11/02/2010

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Vozes do Pássaro da Liberdade


Postando aqui este texto escrito em fevereiro de 2007, e publicado no livro Janelas de Aquário na Casa 12. Continuo agradecendo.


Acordei aos poucos. Ouvi o silencioso farfalho das asas do Pássaro da Liberdade pousando em minha janela. (- Ah, essas asas onde gosto de fazer o meu ninho!) E fui abrindo meus olhos, atravessando a soleira da “porta”, ainda envolta, ainda mergulhada na dimensão de onde vinha.

Hoje, em particular, “acordei” com ”Ele” para agradecer por ser Quem Eu Sou. Hoje, em particular, “acordei” para o privilégio de ter recebido estes corpos para experimentação-expansão. E me abracei comigo mesma na cama e me parabenizei por ter aceitado o desafio de desbravar esses oceanos e semear esses desertos. O desafio de emparelhar a perfeição que descubro com a perfeição que já É.

Hoje, em particular, eu me sinto feliz dentro deste jogo, acordando para a Consciência do Espírito, este grande pássaro livre, experimentando permanecer em Sua freqüência, neste “esconde-esconde” onde, na verdade, nada está escondido... Desde que eu não perca este código de sintonização.

Agradeço pelo milagre desta convivência do meu euzinho com o meu euzão. E até por falta de palavras, pelo vício do uso das construções do ego, agradeço pelo Eu Maior ter tanta paciência com seu irmão pequeno que insiste no uso do possessivo “meu” e por vezes não sabe que EU SOU o outro.

Hoje, em particular, agradeço por este laptop, por esta cadernetinha de bolsa – que é um mimo da Patrícia – onde posso anotar estas idéias, tantas vezes fugidias, viagens e visões em trânsito, sonhos e decisões que lampejam sem aviso.

Hoje, reassino este contrato com o bom humor, com a espontaneidade, com a juventude e com a alegria de viver sem idade e cheia de todas elas. Hoje, na maior esportiva, abro o meu ano novo como uma aluna pequena, com a caixa de lápis-de-cor nova, começando novas vias de expressão. E declaro uma vocação-atração profunda por aprender essas disciplinas intuitivas e indisciplinadas, cuja ordenação certamente está dentro de uma Nova Ordem.

Hoje eu me sinto mais simples. Devo, pelo jeito e por vontade própria, tornar-me mais simples ainda. Até chegar naquela unidade básica. Unidade Básica.

Eu agradeço por essa Unidade que em momentos cegos, para não cair, uso como corrimão, afirmo e tomo, via de regra, como definição e em outros momentos sinto-pressinto suas saias-aura roçando pelas minhas pernas, de leve, macio. Unidade que, em dias de Graça, explode sem estardalhaço como jatos de liberdade a partir do centro do meu peito e como silêncio consciente, lago calmo no alto da montanha do meu terceiro olho, como bolhas de champanhe, fonte infinita no topo de minha cabeça... cabeça, irmão, que se desintegra daquele jeito antigo de cabeçar. Essa Unidade que, de dentro, me envolve... e atravesso a porta, a ponte entre os dois lados... e não há mais divisões... e fico de molho dentro dela, numa boa... e respiro... e sei que o mundo inteiro respira em mim.

Hoje, de novo e de novo, agradeço pelo Pássaro na bay window, e por este mundo em mim.

Maria Helena

Numa bela manhã de fevereiro de 2007


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Na Sagrada Saúde de Cada Dia





Tenho percebido nos vai-e-vens de minha própria experiência que existe mais sabedoria e simplicidade em nossos corpos, e nas maneiras como eles restabelecem e mantêm nossa saúde do que "sonha a nossa vã filosofia". No entanto, porque temos colocado o foco no medo e não conhecemos a estatura da emanação de nossa liberdade, criamos e estamos dentro de um sistema que defende apenas os métodos de cura mais artificiais, caros, extremamente manipulados em laboratórios, cujos efeitos colaterais prevêem e pedem novas intervenções também igualmente violentas. Acabo de receber notícia, através da minha amiga Ida, que está para acontecer em fevereiro o julgamento do Dr. Luiz Moura, médico que tem divulgado gratuitamente informações sobre a autohemoterapia. E fico pensando, aqui com meus botões, que a "medicina" tem sido exercida em todas as culturas, e sempre se achou remédios eficazes para os desequilíbrios causados em si mesmos pelos membros daqueles grupos. Até porque a doença é mais uma de nossas ilusões, espantalho sem graça em nosso quarto de brinquedos. Essa fé absoluta que hoje temos nos médicos, laboratórios e nos remédios "fortes", outros grupos tiveram (e alguns poucos, não contaminados, ainda o fazem) em seus pajés, seus curandeiros e sacerdotes, e essa certeza de que aqueles indivíduos traziam consigo intermediações e meios de cura, abria a mente, a emoção e o corpo à cura. A confiança tomava o lugar do medo, e então tudo podia ficar novamente Bem, furava-se a bolha, película, capa ilusória, e a Vida verdadeira pairava outra vez redescoberta. O aprendiz de feiticeiro, em nós, ao adentrar a Mata Virgem, deve encontrar-se com o Xamã que ele é.

Se pelo menos aceitássemos que vários caminhos levam à Roma... Vejam a acupuntura, por exemplo. O corpo não precisou ser aberto de forma exploratória para se descobrir onde fica o quê, mas os meridianos de energia e seu funcionamento interligado, uns retroalimentando os outros, foram de alguma forma compreendidos e o resultado do uso de agulhas, pressão de dedos, o uso do calor em certos pontos, enfim (não sou acupunturista, mas usuária de acupuntura), traz, apesar da estranheza que muitos sentem, um enorme e comprovado benefício na recomposição daquele sistema. Uma certa loucura sofreram os primeiros homeopatas, para provar que havia de fato remédio naqueles frasquinhos com suas "aguinhas". E Senhor, sem o caminho direto, ainda precisamos do ritual mágico e da irradiante energia consciente dessas aguinhas! Ah, semelhante cura semelhante, e provavelmente a autohemoterapia esteja totalmente inserida nesse contexto, não é mesmo? Os Florais estão dentro da mesma linha de simplicidade, que paira na compreensão de que toda entidade tem existência em campos de energia, cuja freqüência vibratória espelha a qualidade específica da informação contida em cada um deles. Neste caso, o equilíbrio está na busca da complementaridade. E tem a imposição das mãos, Reiki, passes, e outros... Novamente a intervenção ocorre nos campos de energia, que refletem a natureza da consciência da qual emanam. Isso é uma chave! A fitoterapia, perfeita, como perfeita é a natureza, e o relaxamento (biofeedback e outros), a massagem (diversos tipos e estilos, claramente relacionados ou não a correntes psicológicas e/ou filosóficas), e a troca através da conversa, que traz possibilidade de insights, auto-conhecimento, fortalecimento da aceitação, do Amor a si mesmo, ou transmite afeto, e segurança. A meditação, o AMOR, como cura, o estar no Coração, junto à Fonte, irradiando essa Integridade. A cura pode vir de toda a parte, através do bom humor, do sorriso, do olhar nos olhos, do olhar além dos olhos, do estar com amigos, ou no silêncio, na “Presença”. Para alguns estar bem, ou zen, acontece velejando, surfando, tomando banho de mar, cobrindo-se com areias monazíticas, barros medicinais, caminhando pela vida, correndo atrás de si mesmo, voando, planando, brincando, fazendo um som, ouvindo mantras, pink floyd, sertanejo universitário, samba, enquanto outros, como uma vizinha, curtem ouvir alto seus tenores italianos nos domingos de sol. Ou como a Raquel, que prefere o jazz do Café com Letras. Segundo ela, cura tudo! Deitar na rede é um santo remédio, assim como ficar no silêncio olhando a mata e as estrelas no escuro da noite. A saúde pode vir pelo método macrobiótico, probiótico, pelo jejum. Há ainda os que trabalham para sentirem-se centrados e para oferecerem o fruto de seu trabalho ao mundo. E nada como uma enxada, como uma roçadeira, nada como um scanner, como uma traduçãozinha para clarear o dia. Alguns afirmam que transar é preciso, e juram que o orgasmo traz tudo de bom. Outros acreditam que conter essa mesma energia e redirecioná-la para o Alto é o grande barato! Precisamos de algo que nos facilite soltar o desnecessário, para que sem essa carga extra possamos nos voltar em direção ao nosso centro de poder, reservatório central de identidade, à partir de onde podemos voltar a irradiar sanidade. Por que lutamos tanto contra tantas evidências simples que estão em toda parte? Tudo pode ser canal de cura, dependendo do indíviduo, de seu estágio de conexão, seu momento, daquilo que está disponível em seu ambiente e situação. Há nisso tudo, também, curas e Curas.

Acredito que isso, esse estado perturbado de coisas não dure muito mais tempo. Chegamos num ponto muito baixo da curva em sino, despencamos ladeira abaixo, e num círculo vicioso, quanto mais nosso campo fica retraído mais tornamo-nos medrosos em excesso, não ousamos ir além da cartilha social e por isso ainda precisamos do remédio pasteurizado e caro, quanto mais caro, mais cura, quanto mais machucar nosso estômago, nosso fígado, nossos rins, mais o remédio está "funcionando"! O prêço pago, evidentemente, vai além do dinheiro. Algo está chegando na borda, talvez já passando demais do limite. Essa agonia, fim de ciclo, nos levará à busca de simplicidade e paz. Por ora, para alguns, sofrer cura.

Lembrei-me neste instante do filme Avatar, pois um amigo acaba de assisti-lo e enviou-me emails tão lindos sobre o nosso tempo e a cura que está em curso em toda a parte e o “povo do céu” que está chegando (usando suas próprias palavras) que isso deixou-me mais inteira por hoje. Em “Pandora” - e Pandora não é lá, é "aqui" - experiencia-se a troca consciente de energia com tudo que há. Tudo é vivo, e vive-se com essa certeza e naturalidade. A Vida vegetal, com seu ponto focal na sagrada "árvore da vida", é belíssimo canal de equilíbrio. Os seres de diversas linhagens "conversam" e unem o potencial de seus campos para um propósito único. Há consciência desses campos e da substância que nos une e onde estamos. Há respeito e deferência pela Vida. Nisso reside a saúde. Mas se ainda pensamos nessa cura como fantasia para assistirmos no telão 3D nos fins de semana, essa atitude nos deixa enfraquecidos, desvalidos, e dependentes apenas de nossos planos de saúde, um jogo cada dia mais caro. Enquanto isso, em pleno 2010, o Dr. Luiz Moura é julgado pelo Conselho Federal de Medicina, a inquisição ainda hoje tentando esticar seus braços de polvo. Se o que está dentro está fora, hoje, sem demora, é hora de recomeçarmos a expandir nossa liberdade interna, esse contato com o Real, com nosso sonho de beleza e integridade, para que manifestemos externamente a maravilha que vivemos sempre que vamos para "lá". Pois "lá", é Aqui!

Maria Helena

Florianópolis, 24/01/2010


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Viver no coração



2009 no finzinho e, consciente deste imenso Amor no peito, sinto que precisamos, e isto é urgente, aprender a usar metáforas, a converter e reconverter símbolos, para atingirmos o 'ponto' de onde o fluxo emana, sustentar a conexão e nos expressarmos criativamente à partir daí. Quem sabe assim, através de foco e tradução amorosa, este nosso mundo possa desaborrecer-se, soltar a distração das bobagens estereotipadas, deslinearizar-se, recuperando sua verdadeira Realidade, graça e arrojo. A metáfora e os símbolos nos ensinam a olhar uma, duas, milhares de vezes para o mesmo panorama - parábola - e a vê-lo, a cada vez, através de um novo prisma, reconhecendo suas outras faces, encontrando alimento e substância para diversas fases da Caminhada. Assim, uma coisa é uma coisa, mas também é outra coisa muito diferente daquilo que você estava imaginando.

Precisamos viajar pelo mundo, digo, entre mundos, digo, estar em paralelo nos vários mundos, atravessando portas e janelas abertas à cálida e silenciosa visão do Coração. Este transitar consciente nos possibilita trabalhar com fios de vários mundos, elementos de dimensões variadas e aprendemos a viver sem definições estreitas, sorrindo de tudo e para tudo - pois nada é o que parece - o que pode, à princípio, sugerir uma confusão dos capetas mas que na verdade revela a mais etérea leveza exalada pela liberdade de viver em contato com a Fonte, ou com TUDO QUE ELA É. E Ela, é o 'ambiente' onde fazemos nossa experiência, é 'aquilo' que dá existência e estrutura, exata e precisamente, a tudo o que vivemos dentro e fora de nós, local e globalmente, a todas as coisas e estados, todas as gentes-irmãs humanas, animais, minerais e vegetais, e é ainda a vida que transpira em todo esse povo visível e invisível que anda aparecendo nestes tempos, que não sei nem como nominar, povo multidimensional, transdisciplinar, povo louco-lúcido, Senhor, como são lúcidos! Um povo-grupo que chegou para ficar. Estamos aprendendo rápido, e tão pouco sabemos, e tudo ensina a recuperar o amoroso saber pré existente e a expandí-lo, nós que somos habitantes de tantos mundos! Tudo tão simples e tudo dentro da mais intensa realeza e integridade! Eu Sou aquele pedacinho d'Ele, aquela celulazinha ali, daquele orgãozinho ali, do Seu Corpo, mas de alguma forma, apesar de ser um mero pedaço, também isso é ilusório pois tem horas em que participo de todos, absolutamente todos os Seus sonhos e segredos! Saber ler, aquela coisa de que o pingo é letra! Saber soltar, porque sempre se tem, percebendo que a questão toda necessariamente está além da fisicalidade, embora, às vezes, a experiência passe pela consumação física, que embora possa ser movida pela fricção do fogo da paixão, pelo orgasmo, múltiplo, ainda assim, trata-se apenas de um mero detalhe na questão, múltipla, da união. Saber-se junto com o outro numa implicação vasta, num pertencimento íntimo, num conhecer profundo, numa ausência total da posse humana, num Amor que irradia, mergulha nas essências uns dos outros, enriquece uns aos outros, e transborda, Senhor, como transborda! Estar no Jogo, estar em Jogo, abraçar a vida que há em tudo, tanto e tanto, que torna-se difícil digitar, e é preciso deixar-me digitar, tocada pela energia que me envolve, que trocamos, que emana de tudo, aqui nesta mesa, diante da janela, nesta sala, também um consultório, tipo, quem consulta quem, ou o que, neste final de ano?!

Nesta vida tive três filhos, de certa forma uma coisa do passado, posto que todos já têm uma certa idade, construíram sua independência na vida de suas escolhas. No entanto, algo nesta experiência tem sempre um fluxo muito vivo, ativo, paralelo ao tempo presente, pois em uma certa instância, são e serão sempre filhos de meu corpo e de meu coração, e neste estado em que sou uma manifestação do arquétipo-mãe, estou acoplada a um terminal de abastecimento, manancial materno de fluxo contínuo, aquele cordão que jamais é cortado, aquela ligação eternamente convidada, o receber em mim o ser que vem, acolhê-lo, enraizá-lo, nutrí-lo e vê-lo crescer dentro de mim, embora diferente de mim mesma, gestá-lo de novo e de novo, para viver uma vida toda sua, mas não a minha vida escolhida.

Há, no entanto, em mim, centenas de outras vidas em que nunca fui e nunca serei mãe, em que toda a minha energia flui para centenas de outros lados – em que estou na rede e sou rede - ora como viajante, atrás do meu sonho, como a mulher reconhecendo, mergulhando e fusionando-se a seu amante, como menina inexperiente começando um novo plano, como a pessoa milenar que já viveu mais, além do que se possa recordar, explicar ou entender, cujo espírito conhece os mantras das várias linhagens do universo, está além do tempo, dos conceitos e classificações. E há aquela que precisa escalar uma certa montanha e atravessar uma certa ponte e com uma certa urgência dar um jeito em um montão de pendências que já estão velhas demais, tipo, caducas, tirar a fantasia e vestir roupas completamente novas! E em muitas dessas experiências, convivo com aqueles agora-chamados-filhos daquela 'outra' vida e, então, como bons amigos, superbrothers, companheiros, festejamos de igual para igual, camisetas e jeans desbotados, pés descalços, pernas cruzadas no chão, sobre o sofá, partilhando impressões, buscas, sonhos, utopias e videogames, expressamos nossas naturezas humana e estelar, erguemos a borbulhante taça de champanhe e compartilhamos nossa força, nossa experiência, nosso riso, abraço, amor, gratos pela camaradagem de todos os dias, aconteça o que acontecer, manos!

A vida nunca teve regras, embora nós a tenhamos revestido com camisa de força e cinturão de castidade, claro, sem a menor noção do que vem a ser castidade. Nossa cabeça tem, desconectadamente, tentado definir o melhor e o pior, como é que um ser humano decente deve agir dentro de um certo escopo de realidade, tentando ser bússola para questões em que ela, naquele nível, não tem os pré-requisitos mínimos para opinar. Mas como uma telefonista diante de seu PABX, precisamos descobrir o plugue certo, a conexão exata com o Coração. Esse é o elemento-chave, o grande decifrador de símbolos e metáforas, o transcodificador, o que mantém os universos unidos, em que todas as minhas realidades fazem sentido e nenhuma fica de fora ou invalida a outra, em que posso transitar entre as camuflagens, entre as organizações diversas da experiência e aprender com todas elas e não ser aprisionada por nenhuma. Esse Coração estabelece a direção do fluxo de energia, as reais ligações atuais, que não são fruto de acordos estéreis, mas que são resultado de uma certa sintonia vibratória.

Tocar a ‘face’ amada, olhar no olhar, respirar na respiração do encontro, e encontrar. A camisola branca de algodão simples e renda sobre o corpo nu. O sábio coração nu. A mente amorosa nua. Assim adentramos o novo dia. Seguramente, meus amigos, estar nesta vida é uma experiência pra lá de interessante!

Maria Helena,

Florianópolis, 25/12/2009

domingo, 22 de novembro de 2009

E chove


Um texto de Março de 2009:


Cá estou eu, nesta sexta-feira de Deus, aqui na minha 'Ohana, em meio a esta chuva contínua que tem estado entre nós pelos últimos quatro meses, causando acidentes memoráveis e dolorosos por todo o sul do País e que nos leva a comungar de modo mais profundo com o elemento água, trabalhando em nós profundo desapego. Tudo verde, tudo úmido, tudo escorregadio. Vestidos com macacão com botas pantaneiro, casaco impermeável com capuz, chapéu de palha de abas largas revestido com um saco plástico, de modo que os pingos caiam longe do corpo, nada nos impede de caminhar à vontade pelo lugar todo, deixando a chuva fazer parte da paisagem, verificando os canais que foram abertos ao longo do campo para que as águas sejam drenadas em direção ao lago. A terra já não absorve uma gota sequer e as águas, rápidas, rolando canais abaixo, reverberam alto como pequenas cachoeiras, ou valentes riozinhos afluentes, mergulhando no lago dos patos que está realmente cheio. Corremos para desentupir o cano que funciona como ladrão do lago que estava obstruído por folhas, restos de água-pés e galhos, pois as águas haviam invadido a ilha central, desbarrancando as laterais e quase emendando esse lago com o vizinho Laguinho Krishna. As cercas, despencadas, permitindo aos patos, marrecos e gansos pastarem por toda parte, inclusive no quintal de nossa casa. Chamei por Maria Antônia, um pouco apreensiva, pois em outra enchente ela havia sido levada pelas águas e, meio que pelo faro, intuição, amor telepático, saímos vagando, procurando por todo lado até encontrá-la rio abaixo, debaixo da ponte do Celso. Mas hoje, reconhecendo minha voz, ela veio comer ali na beirinha, enquanto eu falava pra ela coisinhas lindinhas, minha tartaruguinha querida! Maria Antônia é uma espécie de filha que adotei, uma tartaruguinha muito gente-fina, super bonita, uma Tigre d'Água Americana que cresceu no apartamento de um amigo, em Florianópolis, e que me foi confiada para que tivesse uma vida na natureza. Ela tem uma marca vermelha perto dos olhos, herança de sua raça, que chama atenção das pessoas da região. Hoje em dia, em meio a toda essa loucura do clima, mora no lago só mesmo porque quer. Às vezes ela 'foge' e vai passear no Laguinho Krishna. Depois volta. Tem uma memória estupenda e conhece muito bem os caminhos, principalmente os atalhos. Penso que se eu fosse ela, também ia querer passear no Laguinho Krishna, onde o astral é muito melhor, é cheio de sapinhos, lavadeiras, bichinhos mil, águas mais claras onde crescem lótus e água-pés que são uma bênção. Quem não ia querer dar uma escapada?


E chove! Esta temporada forçada de excesso de chuva e frio fora de época tem feito coisas, alterando expectativas. O feijão plantado, na sua maioria, amarelou, melou e morreu. Ainda não plantamos o arroz, e é capaz de não dar mais tempo, nem o milho... Muita água. Por outro lado, para eu não virar uma reclamona, tem sempre algumas maravilhas em curso, como as bananeiras fazendo cachos, os limoeiros sicilianos imensos, os abacateiros enormes, as parreiras cheias de uvinhas... As cebolas, apesar de toda a chuva, estão quase na hora de serem colhidas. Isso, para a gente nunca acreditar na limitação! Desapegamo-nos de algumas coisas e dirigimos nosso olhar à outras. Temos colocado na terra tudo quanto é semente de todas as frutas que comemos. Temos plantado até sementes de maçãs, daquelas que compramos à quilo no supermercado. Algumas delas já estão bem crescidas. E embora nos digam que jamais darão frutos, nos recusamos a acreditar nisso. Comemoramos seu crescimento, suas folhas que rebrotam sempre num tom de verde muito bonito. Vejam as sementes de limas-da-Pérsia, compradas assim, nas mesmas condições, e que coloquei dentro de um vaso de violetas, no consultório. Elas germinaram e as colocamos na terra quando ainda eram tão pequenininhas que a nossa ajudante, Janete, só ria, achando um tremendo absurdo darmos tanta atenção para aquelas plantinhas frágeis com cerca de quatro folhinhas, e que por certo morreriam antes de se adaptarem. Hoje são quatro formosas arvorezinhas que dão limas amarelinhas, deliciosas... No início, plantamos cenouras vindas dessas sementes violadas que se compra no comércio, cujas plantas não espigarão, para que sejamos obrigados a comprar novas sementes da multinacional, ficando, assim, cada vez mais à mercê dos donos da Matrix, matriz da 'tecnologia'. Pois não é que em dado momento, acreditem, um pezinho de cenoura magicamente espigou e ficamos com o coração na mão! Cheinho de flor, deu uma bacia enorme de sementes, que colhemos e replantamos. Agora temos sempre muitos pezinhos de cenoura espigados com milhares de sementes! A vida multiplicando-se em meio a esse caos aparente. Há todo um barulho do raciocínio em cima de teorias, mas no silêncio da observação surge um amor que confia na vida e que desperta a semente.


E chove!
Às vezes a chuva vem do oeste e a gente pensa que o vento vai, enfim, levá-la embora. Mas, aí, ela faz meia volta e vem de leste. Acaba a reserva de água de um lado e ela vai se abastecer no outro. Penso, então, que não dá para esperar, e se não temos mais sol, let's sing in the rain! Levanto-me para esticar as pernas e dançar um pouco: gracias a la vida que me ha dado tanto! O fogão à lenha esquentando essa mistura de sala, copa e cozinha. Almoçamos ervilhas com batatas e massinha no alho, Vitor foi fazer a siesta e estou aqui, acompanhada deste laptop cor-de-rosa, una computadora, mocinha, do sexo feminino, como diz o Paulinho, que toca esse sonzinho maneiro, onde teclo, onde estudo astrologia - como é bom - enquanto chove. E constato que a nossa ajudante, Janete, teve medo da chuva: já passou da hora e ela não veio trabalhar. Há tanto por ser feito, mas nessas circunstâncias vemos a importância de praticar a entrega, a aceitação, e como diz o povo, colocar as coisas nas mãos de Deus! Ainda hoje fomos pela trilha, caminhando mata adentro, até a beira do rio que corre lá no fundo. Há um tempo atrás havíamos assentado algumas pedras no chão, próximo da margem, de forma bem simples para não destoar, não machucar muito a energia do lugar e ainda termos um chão mais firme onde pisar. Agora, o rio encorpado, crescido, indomável, passava por cima da represinha, das margens, seguindo deu próprio curso e destino, independente de nós e de nossas pedras colocadas na margem. Um espetáculo forte, lindo! Então, é preciso reverenciar a vida, trabalhar com afinco, traçar objetivos claros mas sem qualquer apego, abertos à co-criação e à possibilidade de mudança de itinerário, saber a hora de abrir mão da agenda e pular fora. Por isso mesmo, independente do tempo, eu venho para o sítio, planto, converso com os carneiros, morro de rir dos gansinhos adolescentes, tão lindos, fico de namorinho com a Maria Antônia, que toda charmosa, mergulha e volta, e tudo está bem no meu mundo!


E chove!


São Pedro de Alcântara, 20 de março de 2009


Retorno, após uma noite de chuva intensa, para registrar a morte da minha menina Maria Antônia! A violência das águas formou um vórtice muito intenso no ladrão do lago que sugava as águas aos borbotões. Ela foi tragada pela cabeça, ficou presa e não conseguiu mais nadar para fora! Estás agora unificada à tua alma-grupo, minha querida! Em algum universo paralelo vives, agora, sem a forma de tartaruguinha que vestiste para que eu pudesse aprender que gente e tartaruga podem viver um amor sem igual! Atravessaste a linha e entraste no grande mistério! Contigo estão a Betinha, o Léo, a Lindinha, a Preta e o Ferdinando. Ferdinando, o pai de todos os carneiros desta 'Ohana, que já velhinho, fui levar-lhe um agrado em sua casinha, aquele capim cheiroso que ele tanto gostava, e uma bacia d'água, porque já não conseguia caminhar. Conversei com ele, acariciei sua cabeça, agradeci pela bênção de sua presença, pelas impagáveis aulas de olhar-no-olho-lindo-do-carneiro-e-entender-tudo, e quando saí de lá, ele deu apenas um passo cambaleante até a porta, atrás de mim. Voltei-me e ele olhou-me intensamente com seus puros olhos de carneiro e eu soube que era a despedida. Meu coração humano não queria mesmo passar por isso, mas a Alma que mora em meu coração pode sentir a paz, que como um halo, exala desses momentos. E exulta pela bela festa que vocês estão fazendo nos verdes prados do Senhor, no outro Laguinho Krishna, nessa outra 'Ohana que fica aí desse lado.


Ainda chove.


Maria Helena
São Pedro de Alcântara, 21 de março de 2009.

domingo, 15 de novembro de 2009

Atravessando a Boca da Caverna



Postando um texto de 2007:



Oi Su, respondendo sua pergunta:

Segui o link que você me enviou e li o comentário da pessoa sobre o filme The Secret. O texto todo segue a lógica mais fácil, mais antiga, indo por um caminho que me parece muito linear, colocando, portanto, tudo num nível um tanto "primitivo", estreito. Ela, a autora do artigo, fica presa numa retórica óbvia e é incapaz de aprofundar, porque provavelmente é só até onde consegue alcançar. Não se reconhece como criadora. A mágica está presente na vida, mas não da forma limitada como ela percebe ali: a mágica de circo. A vida, minha amada, é pura Mágica, com letra maiúscula! Mas cada pessoa sempre fala a partir do ponto onde se encontra. O filme, holliwoodiano, sim, me parece útil para atingir várias camadas da população, pois estamos num atraso tão sem fim com relação ao uso de nossos potenciais, nossos sentidos internos, que não dá mais tempo para se ficar explicando tudo tim tim por tim tim, assim chegamos no resumo dos resumos. O ponto não está apenas nessa coisa grosseira de se produzir, criar matéria, um produto A ou B através da focalização do pensamento energizado pela paixão-sentimento. Ou seja, a nova modinha de auto-ajuda para se ganhar dinheiro! O ponto está na consciência de que você é um ser criador e não uma vítima, que você cria a sua realidade e não aquela velha estória de que o carma se abate sobre sua cabeça, que você foi manipulado, que você se encontrava desarmado e desamparado, que é hereditário, que a culpa é do pai, da escola, do governo ou do raio que o parta! É saber da delícia de viagem que é saltar conscientemente de um estado de criação para o outro, até que as criações se tornam inteiramente sutis, porque o desejo também foi sutilizado. O ponto é você saber que há uma saída, e que ela está logo ali.

A Lei da Atração não é nenhuma novidade, é uma idéia antiqüíssima, já que é um modo das coisas acontecerem neste planeta. Apenas, como toda revelação, ela tem uma continuidade no “tempo’, recebendo constantemente nova roupagem nos novos cenários das encarnações. Antes, ela tinha um tom mais hermético, mantinha uma camuflagem mais emaranhada em simbolismos que apenas grupos mais “seletos“ desembaralhavam. O negócio não é só ficar brincando de pensamento "positivo", como ficar hipnotizado, repetindo e repetindo uma afirmação, escrevendo e escrevendo, como numa lavagem cerebral. Mas, é preciso saber, como diz , por exemplo, Leonard Orr, que o pensador é criador em seus pensamentos. Assim como ele acredita, assim é o seu mundo, pois o seu pensamento é um filtro. Às vezes a gente repete um montão de coisas, mas não crê em nada daquilo. Há uma crença subconsciente mais forte, medos e emoções diversas associadas a episódios antigos, aprisionando o indivíduo. Às vezes a gente diz que não entende o que acontece, pois deseja algo, mas acontece exatamente o contrário. No entanto, abra aquela cabecinha e verá a seqüência incontrolável de porcarias, umas atrás das outras, como contas de um terço rezado, mantrado o dia inteiro, dia após dia, com irretocável atenção! A ‘frequência’, a vibração, a qualidade da resposta sempre é compatível com aquilo que predominou no campo! Ponto.

Estamos apenas engatinhando numa aventura de descobertas maravilhosas. Não porque tudo isso sejam idéias "novas", mas porque, de repente, descobre-se que há maneiras mais simples, há um atalho.

Paul Brunton, Trigueirinho, já falavam do caminho longo e do caminho breve. O longo é o da análise, caminho que serpenteia por muitas vidas. Assim como no mito da caverna de Platão, estamos algemados no fundo da caverna, de costas para a boca (saída) da caverna e tudo o que vemos são as sombras projetadas na parede à nossa frente. A Psicologia tem tentado interpretar essas sombras projetadas. Esse é o caminho da Análise, da Psicologia Tradicional, o caminho longo. Usando um exemplo da Sara Marriott, é como se estivéssemos deitados debaixo de uma mesinha de vidro. Sobre a mesa há um quebra-cabeças sendo montado e tudo que a gente consegue ver lá de baixo é a face marrom das peças do quebra-cabeças, pois o lado da imagem está voltado para cima. Assim, ficamos tentando encaixar peça por peça, sem ter a menor noção do desenho. Esse é o caminho da análise, o caminho longo. Mas bastava você se levantar, sair de baixo da mesa, e olhar a partir do alto para compreender melhor a figura sendo montada e fazer o seu insight! Caminho breve!

No mito da caverna, se nos virarmos para a boca da caverna, ainda estaremos algemados, porem veremos de frente a Luz, a Saída, veremos aquilo que está produzindo as sombras que antes tentávamos interpretar, tentando fazer algum sentido. O Caminho breve é girar 180 graus, e olhar de frente para a Luz, tipo, Eu Sou Luz!

Ainda brigamos com a velha crença de que Deus é aquele homem brabo e grandão sentado naquele trono das alturas, cercado por querubins e serafins, uns anjos poderosos pra cacete, mas um tanto sádicos, sempre desconfiados se a gente presta ou não presta e prontos para nos enviar para o quinto dos infernos, claro, sob a intercessão chorosa da sempre virgem Maria sobre a cruz sangrenta de seu muito amado filho! E, claro, ficamos meio que num beco sem saída, pois todos sabemos que há momentos, quando ninguém encarnado vigia, a não ser ELE, o Big Brother, em que pensamos/sentimos/agimos sobre um monte de coisas no escuro do nosso quarto-mundo, coisas que são no mínimo proibidas, estranhas, esquisitas, questionáveis, que vão contra as regras de algum fazedor de regras, portanto, 'mea culpa, mea máxima culpa, portanto peço e rogo...' e eu me sinto tão pequenininha que não tem chance de eu me imaginar à imagem e semelhança do Criador, sempre achando que sou o cocô do cavalo do bandido expulso do paraíso. E se você é mulher, pior ainda, está ferrada, querida, carma brabo, minha filha, porque você é como a danada da Eva, a serpente que deu a maçã para o "pobre" do Adão, e vai arder no mármore do inferno!

Somos incapazes de perceber Deus como a Energia Criadora do Universo, porque personalizamos e coisificamos tudo. Somos incapazes de compreender o significado de que no "princípio" só havia o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Nada mais existia a não ser Aquela Energia. Fomos criados à partir dessa ENERGIA, dessa matéria prima única, que é da mesma substância do Criador. O Criador cria mundos e com isso Ele se expande, já que Ele é a única coisa que existe. Nós somos filhos do Pai (Embora a gente viva xingando uns aos outros de filhos da mãe! Se ao menos soubéssemos o que significa a energia, o arquétipo MÃE!) e como "herdeiros" de seu DNA sagrado, devemos poder fazer as mesmas proezas e peripécias do Pai. Este é o Caminho Breve. Olhar direto para Aquilo Que Eu Sou e assumir minha hereditariedade, minha ascendência, minha genealogia, minha irmandade, minha essência, minha capacidade criadora! O Caminho Breve!

Eu te pergunto, minha amada, o que é que você escolhe? Acho muito legal, no filme, o Aladim dizendo: Seu pedido é uma ordem! Se acredita em sua fraqueza, você será fraca! Já reparou que tem horas em que a gente acredita nisso, na fraqueza, e vai lá para o fundo do fundo do poço! De repente nos conectamos com algo, talvez uma música, um cartaz, um livro, um email que traz uma imagem, que traz um sonho, que traz um sorriso, que nos lembra nossa força maravilhosa e imperecível, e aí pulamos para fora do poço viscoso e voamos para o céu, imbatíveis, pássaros feitos de luz?! A proposta é, em vez de ficarmos tão ao sabor do vento, aprendermos a velejar. Sustentar nosso campo de energia!

Ah, e quando chegar a tardinha, num dia desses de sol, na hora do sol se pôr atrás da montanha, quando a Terra começa a escurecer para dormir, olhe para ele, para o nosso belo sol, respire calma e ritmicamente. O que será que você vai ver? Verá a boca da caverna, a porta, a SAÍDA! Saberá que o sol, naquela posição pela metade, em semicírculo, aponta para a posição em que nós nos encontramos aqui no mundo, no recesso fundo da caverna, algemados e no escuro e que a saída é atravessarmos a porta do sol, rumo à LUZ, dentro de nós mesmos! Boa contemplação, amiga, mergulhe nessa Luminosidade, e muito grata pela reflexão que me proporcionou nesta manhã de hoje.

Maria Helena,
Florianópolis, 03/05/2007